O que é melhor: comprar ou alugar um imóvel?


Economista ajuda com orientações para você tomar a melhor decisão.


Muita gente sonha com a compra da casa própria. Ter um imóvel como investimento pode ser sinônimo de autorrealização e tranquilidade financeira para muitos catarinenses. Mas em época de economia instável, é melhor investir o dinheiro de outra forma e ficar no aluguel?


Conversamos com Rafaela Rodrigues Correia, economista, educadora e coach financeira em Santa Catarina, para entender melhor um dos maiores dilemas da economia pessoal.


1. O que é melhor: comprar ou alugar um imóvel?


Trabalhando com o cenário de que você irá adquirir o imóvel financiado, pois poucas são as pessoas que possuem dinheiro para comprar à vista, o aluguel deve ser considerado como uma boa alternativa e não como dinheiro desperdiçado.


Ainda que você tenha esse dinheiro, lembre-se do custo de oportunidade de imobilizar grande parte do seu capital, quando você poderia estar rentabilizando esse dinheiro no mercado de investimentos, e com uma liquidez bem maior.


Outro agravante é o fato de que muitos dos brasileiros que sonham com a casa própria acabam financiando o imóvel sem fazer uma ampla pesquisa junto aos bancos, amarrando essa dívida a condições ruins e a altas taxas de juros. Em resumo, financiar um imóvel acaba saindo muito caro.

Uma forma prática e objetiva de analisar financeiramente a decisão de alugar ou adquirir um imóvel consiste em calcular a taxa de aluguel mensal.


Essa taxa é calculada da seguinte forma: divida o preço do aluguel pelo valor do imóvel, em seguida multiplique por 100. Você encontrará a taxa de aluguel mensal. Sempre que essa taxa for superior ao investimento das aplicações financeiras, vale a pena comprar o imóvel. Do contrário, alugue um imóvel e invista o seu dinheiro.


2. A cultura da casa própria está no inconsciente coletivo brasileiro e tem relação com aspectos históricos. O que dizer para a nova geração, que está entrando no mercado de trabalho agora e tem uma relação diferente com consumo e poupança?


Os jovens estão priorizando a busca por experiências e não apenas o consumo. A posse já não é mais vista como algo necessário.


Ter um imóvel significa empregar boa parte do seu capital. Trata-se, possivelmente, da maior despesa que uma pessoa tem em vida. Sem falar que é um investimento de longo prazo e que cria raízes com determinado lugar.


Foi-se o tempo em que o sonho do jovem era entrar numa empresa, ser efetivado e passar a vida trabalhando no mesmo local. Os jovens de hoje querem ganhar o mundo, trabalhar em vários lugares, acumular experiências.


A aquisição de um imóvel trava esse espírito nômade, aventureiro e imobiliza grande parte dos seus recursos. Aliado a isso, temos o aspecto tecnológico, que vem permitindo maior inserção no mercado de investimentos.


Com a criação das fintechs e das contas digitais, o acesso a corretoras e aplicações financeiras se tornou mais fácil e menos burocrático. Hoje, você pode investir em ativos nacionais ou estrangeiros no conforto da sua casa, basta estar conectado. Sem falar que o aporte inicial de um investimento de renda fixa ou de renda variável é bem reduzido.


Atualmente, algumas corretoras oferecem Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com aporte mínimo de R$ 1. Para investir no Tesouro Direto, você precisa de R$ 30, e existem cotas de fundos e ações sendo vendidas por R$ 100 ou menos.


3. Levando em conta os juros cobrados pelos bancos nos financiamentos imobiliários, poupar para comprar à vista é uma opção melhor. Mesmo assim, por que a maioria das pessoas simplesmente ignora este fato e continua recorrendo ao financiamento?


Recentemente ministrei uma palestra para um grupo de servidores que irá se aposentar nos próximos dois anos. Mencionei que não possuo carro, nem casa e que todo o meu dinheiro está investido.


Um dos ouvintes, um senhor de meia-idade, me questionou: como eu poderia se feliz, se não possuía carro ou casa? Essa pergunta ilustra bem a cultura da casa própria enraizada na criação de nossos pais e avós. Confesso que achei no mínimo triste o fato de que, para aquele senhor, a felicidade está condicionada à aquisição de um carro e de uma casa.


Mas essa ainda é a realidade da educação financeira em nosso país (ou da falta dela). Atualmente, mais da metade dos alunos brasileiros não possui conhecimentos básicos sobre como lidar com o dinheiro, de acordo com dados do PISA, um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 1% dos aposentados no Brasil possui independência financeira. O restante depende de parentes, de caridade ou são obrigados a continuar trabalhando para sobreviver.


Diante desses dados, fica difícil imaginar como o brasileiro conseguirá fazer boas escolhas, se desconhece o instrumental básico para calcular diferentes cenários.


Fonte:

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/seu-dinheiro-vale-mais/noticia/o-que-e-melhor-comprar-ou-alugar-um-imovel-em-santa-catarina.ghtml


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